Monumentos Residentes

Torre de Belém

Monumento inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1983, símbolo identitário da cidade de Lisboa e de Portugal no mundo, a Torre de…

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Monumento inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1983, símbolo identitário da cidade de Lisboa e de Portugal no mundo, a Torre de Belém associa-se histórica e artisticamente ao Mosteiro dos Jerónimos e aos Descobrimentos Portugueses.
Edificada, entre 1514 e 1519, sobre um afloramento basáltico, a alguma distância da margem norte do rio, conjuga dois modelos arquitetónicos distintos: a torre alta, ao modo de torre de menagem, de feição medieval, e o baluarte, um dispositivo militar moderno. 
Além da estrutura do edifício, é a sobrecarga ornamental, a decoração festiva na modalidade portuguesa de tardo-gótico “manuelino”, que denuncia a sua construção no reinado de D. Manuel I (1495-1521). A heráldica régia, obsessivamente presente, mistura-se com motivos ornamentais diversos, como cordas, nós e animais, não faltando elementos de alusão mourisca. Saliente-se a presença, na fachada sul da torre alta, da extensa varanda, uma loggia, pensada para acolher o aparatoso cerimonial de corte que, decerto, se intensificaria na chegada e na largada das embarcações.
A construção de uma fortaleza na margem norte do Tejo, para defender a barra, estava prevista desde o tempo de D. João II. No entanto, foi no reinado de D. Manuel I que Francisco de Arruda, um arquiteto experiente em estruturas defensivas, projetou e dirigiu as obras de execução da Torre dedicada a São Vicente, desde cedo designada por Torre de Belém.
No mesmo período e no mesmo território, frente à Praia do Restelo, edificava-se o Mosteiro dos Jerónimos – a grande casa monástica fundada por D. Manuel I, entregue à Ordem de São Jerónimo, cujas obras se iniciaram em 1501-02.
São muitas as fontes escritas e visuais que testemunham a relação entre estes dois grandes empreendimentos. A título de exemplo, na Chronica do Felicissimo Rei Dom Emanuel (1566-67), escreve Damião de Góis: “Defronte deste edifício mandou el Rei fazer a torre de S. Vicente, que se chama de Belém, fundada dentro na água, para guarda deste Mosteiro, e do porto de Lisboa, edifício que ainda que em si não seja grande em quantidade, contudo a estrutura dele é magnífica. A qual torre se vela de noite, e de dia, de modo que nenhuma vela pode passar sem ser vista, e obedece às salvas que lhe dela fazem com a artilharia.”
 

Lisboa de Borla
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